Behaviorismo e informática: controlando o usuário

02/06/2011

Teses, antíteses e sínteses estão em constante movimento atuando como causas ou efeitos de um eterno círculo vicioso vítima de sua própria autorrealimentação. O Behaviorismo afirma que o comportamento humano é o resultado das operações lógicas entre estímulos fornecidos pelo ambiente e respostas desferidas pelo organismo; por outro lado, a Psicanálise enfatiza a libido, as pulsões e os desejos reprimidos.

A vantagem do Behaviorismo sobre a Psicanálise manifesta-se no campo da prática: a primeira doutrina limita-se apenas ao observável, quantificável e verificável, consequentemente sujeito ao método científico. Por um lado, desfruta de todos os benefícios do método; por outro, não explica a razão do insucesso no controle absoluto dos humanos em uma situação infernal, obrigando o pesquisador a optar por uma ou outra disciplina quando aplicável.

Preferimos nos ater ao Behaviorismo pelas qualidades descritas acima e pretendemos utilizá-lo no ambiente corporativo, onde o controle sobre o uso dos equipamentos de informática e demais recursos envolvidos nas atividades das empresas faz-se mister.

Dirigindo e filosofando no caótico trânsito da cidade do Hellcife, me pego a observar e questionar o comportamento dos motoqueiros (aqueles que andam de cinquentinha ou 125cc, sem freio a disco) que “costuram” e “emburacam” entre veículos quando o sinal fecha. De acordo com a lei, uma moto ocupa o mesmo espaço que um carro;
mas, obviamente, o ambiente físico não impõe limitação, tornando a lei respeitável mediante bom senso.

Se, apelar para o bom senso (hã? o que é isso?) não impõe o cumprimento da lei (pois o ambiente físico é permissivo), é imprescindível que a polícia “grampeie” o elemento após a captura, ou que um determinado local seja construído de uma forma que não dependa dele ou dê margem a comportamentos que fujam dos esperados pelo manipulador.

Na informática a situação é idêntica. Se a segurança das informações e equipamentos dependerem do “bom senso” do usuário, permitindo que ele faça o que bem entender, o administrador perdará o controle e seu trabalho será reduzido ao “enxugamento de gelo”, combatendo efeitos e não causas. Nessa área, a “merda” que estiver latente torna-se patente: é a lei de Murphy pairando no ar.

Graças a Deus não somos X-Men (não é mesmo, Nane?). Não podemos controlar objetos com a força da mente, atravessar paredes ou usufruir de visão de raios X. Somos limitados e devemos pensar e agir nesse nível, tirando o máximo proveito no controle sobre nossos semelhantes.

O ideal é trancafiar o gabinete do computador numa espécie de cofre, não permitindo sua abertura e consequente acesso aos conectores do mesmo, evitando que o usuário (des)conecte algum cabo por sacanagem ou inocência (força, rede, teclado, mouse, etc) ou curto-circuite as portas USB.

Além do equipamento não dar boot através de mídias removíveis, o sistema operacional não deve conceder privilégios administrativos ao usuário, possibilitando alterações graves e permitindo a escrita em todo o disco, complicando ainda mais a vida do TI.

Outros pontos importantes são desabilitar a placa de som e limitar o espaço em disco através de particionamento ou cota. O primeiro item desencoraja o usuário a trazer discos ou pen-drives contendo arquivos MP3, o segundo minimiza bastante a presença de dados pessoais no computador da empresa. Ainda é possível proibir a execução de aplicativos indesejados através das permissões do sistema de arquivos.

Acesso à internet também deve ser controlado paralelamente ao poder de ação do usuário sobre o computador, controlando o que entra e o que sai do equipamento. O ideal é partir de uma negação padrão, permitindo acesso parcial (quando aplicável) ou total somente quando necessário, registrando quem, quando, como, onde e o quê acessou.

Segundo Heidegger, todos nós somos seres-no-mundo e estamos aqui por possuirmos um corpo. Este corpo serve tanto para abrigar a consciência quanto para servir de objeto manipulável ao ambiente físico e à doutrina behaviorista.

Continua… agora vou almoçar!

Psicologia Social e cornitude: uma simbiose

22/04/2011

Deitado sobre o carrasco da minha coluna, o desconforto gerado por aquele sofá duro e azul despertou em mim a necessidade de ficar melhor acomodado. Resolvi então assistir a um show de Fagner, há muito tempo na gaveta esquecido. Ele mal começou e concomitantemente também a interpretação da subjetividade alheia. Lembrei-me então de Vivi Gomes, cujo trabalho atualmente resume-se a este tipo de “viagem”: leitura das entrelinhas textuais.

Dentre tantas músicas que expressam a subjetividade e o sofrimento do povo nordestino, uma de autoria desse maravilhoso poeta me chamou atenção: “deslizes”. Confesso que estava a ponto de ter um orgasmo psicoemocional quando escutei o trecho que diz: “é pelos outros que eu sei quem você é”. Automaticamente fui remetido ao que Yolanda Forghieri denomina de vivência cotidiana imediata, ou seja, a vida como acontece no dia-a-dia, com pouca ou nenhuma intervenção da razão. Eu estava imerso na situação, talvez tenha ocorrido o que chamam de empatia.

As ondas sonoras vibravam meus tímpanos, a transdução dos estímulos precedia a análise do material colhido. Uma outra figura interligada com a última surgiu, era Edmund Husserl. Este filósofo dizia que toda vivência é a vivência de um ser no mundo; objeto responsável pelos pilares da dialética e da personalidade. Então fui mais além, utilizei minha rede semântica para culminar na consciência a Psicologia Social, disciplina lecionada pela mulher mais filosófica e interacionista da faculdade; ela forneceu o material necessário para construir essa crônica.

De acordo com o criador de Sherlock Holmes, o homem sozinho é peça de um quebra-cabeças insolúvel, mas no contexto social ele se define, torna-se previsível. Há um processo cognitivo subjacente à interação que, obviamente só acontece mediante presença de dois ou mais seres humanos. Por dedução aristotélica, o eu lírico só foi elevado (ou rebaixado, depende do ponto de vista) ao status de corno mediante comportamento (Skinner define como qualquer ação do organismo no meio) da sua parceira e internalização das informações transitadas no plano interpessoal (Vygotsky).

O que está fora passa dentro, o indivíduo passa então a se regular mediante interpretação de tais informações que carregam consigo o simbólico, função principal da linguagem. Dois aspectos importantes norteiam o ser: a capacidade de tomar decisões como um sujeito ativo e a auto-imagem. Não há outra maneira para coletar informações senão através dos fenômenos manifestados pelos seres, no nosso caso, o eu lírico da canção de Fagner.

Trata-se de um homem que não sabe por que insiste tanto em querer uma mulher que pinta e borda com sua pessoa; se ao lado dela ele sabe tão pouco, é imprescindível recorrer ao social para obter informações sobre a parceira. Se estivesse vivo, Freud certamente vasculharia o inconsciente desse e de tantos outros cornos espalhados mundo afora, analisando criticamente a cultura e valendo-se do saber psicanalítico no ato de exumar as causas de tal comportamento. É preciso abrir o baú do Raul e encarar na cara de pau (com óleo de peroba) o objeto temido, ao invés de simplesmente recalcá-lo.

Ele sabe de tudo, com quem ela anda e aonde ela vai, mas disfarça seu ciúmes mesmo assim; pois aprendeu (por condicionamento simples ou instrumental, ensaio e erro, imitação, discernimento ou insight e, quem sabe até raciocínio? – será que vale a pena?) que seu o silêncio vale mais e crê que dessa maneira trá-la-á de volta. Como prêmio recebe seu abraço (reforço positivo), subornando um desejo tão antigo (a disciplina de Ética e RH condenaria ao mármore do inferno; o indivíduo está, aos poucos, enterrando sua identidade), fecha os olhos para todos os seus passos (o pior cego é aquele que não quer ver), se engana e, somente mediante tal condição são amigos.

Iniciei o texto deitado temporariamente em berço nada esplêndido, com um notebook no colo, sob a escuridão e a chuva do céu profundo. “Fulguras, ó Brasil, florão da América, iluminado ao sol do Novo Mundo!”, mas que sol? É só água e mormaço nessa cidade, as galerias não dão vencimento. Como todo castigo para corno é pouco (it’s not enough, it’s not enough), ainda resta somar as inúmeras latinhas de cerveja e garrafas PET à falta de educação do povo, que paga – e caro (com cartão hiper, em um trilhão de vezes) – pelos móveis destruídos quando a água invade suas casas.

Se continuar assim, a cidade do Recife será promovida de Veneza brasileira para aquário cearense; Fagner poderá então – através da esquizofrenia do eu lírico – tornar-se um peixe e nesse turvo aquário mergulhar, fazer borbulhas de amor para encantar e passar a noite em claro dentro de quantas piriguetes desejar. Estando o homem sujeito ao tempo e ao espaço, aproveito para lançar a idéia de que pretendo comprar um u-boat segunda mão, está na hora de trocar de “carro”.

Está incompleto, a mente cansou e falta inspiração… quando tomar uma eu termino!

A famosa gambiarra

30/01/2011

“Macho… olha o serviço!”, era o que diria o Siará – grande filósofo etílico e conselheiro vitalício da Ferrabrás.

Meditando como de praxe a respeito dos acontecimentos – mais precisamente sobre as produções humanas no mundo, lembrei de um colega de sala, o sr. Karlison Lopes, que costuma perguntar: “Por que falhamos ao praticar?”.

Encucado e fulo com a manifestação registrada na imagem acima, cheguei à óbvia conclusão (quem também não chegaria?) que tudo isso é fruto da falta de planejamento.

A tecnologia veio para facilitar a vida e solucionar problemas, mas parece fazer justamente o contrário: complica e traz problemas que não tínhamos. Não que a tecnologia seja ruim; há falta de planejamento e na maioria das vezes mão-de-obra qualificada.

É preciso racionalizar antes de conceber um produto, seja ele físico ou prestação de serviços. Assim como uma cidade que cresce desordenadamente, a urgência e a “filosofia do para ontem” faz que uma rede de computadores sofra do mesmo mal. Estamos sempre focando os fins, não os meios; tudo é feito “na tora”.


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