Teses, antíteses e sínteses estão em constante movimento atuando como causas ou efeitos de um eterno círculo vicioso vítima de sua própria autorrealimentação. O Behaviorismo afirma que o comportamento humano é o resultado das operações lógicas entre estímulos fornecidos pelo ambiente e respostas desferidas pelo organismo; por outro lado, a Psicanálise enfatiza a libido, as pulsões e os desejos reprimidos.
A vantagem do Behaviorismo sobre a Psicanálise manifesta-se no campo da prática: a primeira doutrina limita-se apenas ao observável, quantificável e verificável, consequentemente sujeito ao método científico. Por um lado, desfruta de todos os benefícios do método; por outro, não explica a razão do insucesso no controle absoluto dos humanos em uma situação infernal, obrigando o pesquisador a optar por uma ou outra disciplina quando aplicável.
Preferimos nos ater ao Behaviorismo pelas qualidades descritas acima e pretendemos utilizá-lo no ambiente corporativo, onde o controle sobre o uso dos equipamentos de informática e demais recursos envolvidos nas atividades das empresas faz-se mister.
Dirigindo e filosofando no caótico trânsito da cidade do Hellcife, me pego a observar e questionar o comportamento dos motoqueiros (aqueles que andam de cinquentinha ou 125cc, sem freio a disco) que “costuram” e “emburacam” entre veículos quando o sinal fecha. De acordo com a lei, uma moto ocupa o mesmo espaço que um carro;
mas, obviamente, o ambiente físico não impõe limitação, tornando a lei respeitável mediante bom senso.
Se, apelar para o bom senso (hã? o que é isso?) não impõe o cumprimento da lei (pois o ambiente físico é permissivo), é imprescindível que a polícia “grampeie” o elemento após a captura, ou que um determinado local seja construído de uma forma que não dependa dele ou dê margem a comportamentos que fujam dos esperados pelo manipulador.
Na informática a situação é idêntica. Se a segurança das informações e equipamentos dependerem do “bom senso” do usuário, permitindo que ele faça o que bem entender, o administrador perdará o controle e seu trabalho será reduzido ao “enxugamento de gelo”, combatendo efeitos e não causas. Nessa área, a “merda” que estiver latente torna-se patente: é a lei de Murphy pairando no ar.
Graças a Deus não somos X-Men (não é mesmo, Nane?). Não podemos controlar objetos com a força da mente, atravessar paredes ou usufruir de visão de raios X. Somos limitados e devemos pensar e agir nesse nível, tirando o máximo proveito no controle sobre nossos semelhantes.
O ideal é trancafiar o gabinete do computador numa espécie de cofre, não permitindo sua abertura e consequente acesso aos conectores do mesmo, evitando que o usuário (des)conecte algum cabo por sacanagem ou inocência (força, rede, teclado, mouse, etc) ou curto-circuite as portas USB.
Além do equipamento não dar boot através de mídias removíveis, o sistema operacional não deve conceder privilégios administrativos ao usuário, possibilitando alterações graves e permitindo a escrita em todo o disco, complicando ainda mais a vida do TI.
Outros pontos importantes são desabilitar a placa de som e limitar o espaço em disco através de particionamento ou cota. O primeiro item desencoraja o usuário a trazer discos ou pen-drives contendo arquivos MP3, o segundo minimiza bastante a presença de dados pessoais no computador da empresa. Ainda é possível proibir a execução de aplicativos indesejados através das permissões do sistema de arquivos.
Acesso à internet também deve ser controlado paralelamente ao poder de ação do usuário sobre o computador, controlando o que entra e o que sai do equipamento. O ideal é partir de uma negação padrão, permitindo acesso parcial (quando aplicável) ou total somente quando necessário, registrando quem, quando, como, onde e o quê acessou.
Segundo Heidegger, todos nós somos seres-no-mundo e estamos aqui por possuirmos um corpo. Este corpo serve tanto para abrigar a consciência quanto para servir de objeto manipulável ao ambiente físico e à doutrina behaviorista.
Continua… agora vou almoçar!
